Showing posts with label Antonio Carlos Avallone. Show all posts
Showing posts with label Antonio Carlos Avallone. Show all posts

Wednesday, March 27, 2013

Corrida em Tarumã, 1971


Em 31 de maio uma corrida internacional de de protótipos foi realizada em Tarumã, com a finalidade de dar uma ideia do furuto campeonato SUDAM. Infelizmente, apenas dois argentinos deram as caras: Jorge Ternengo, com um Berta-Tornado com motor dianteiro, do estilo antigo, e Ruben Alonso, com um Volunta Tornado. Quanto aos brasileiros, muitos dos melhores pilotos do Brasil apareceram. Tite Catapani foi inscrito com sua Lola T210, Antonio Carlos Avallone esteve presente na Lola T70, e um outro exemplo deste carro carro foi inscrito por Norman Casari. A Equipe Brahma também trouxe a Casari-Ford com Jan Balder, e Pedro Victor de Lamare inscreveu o Furia com motor Chevrolet de 2,5 litros. Um pequeno número de protótipos extravagantes foi inscrito, incluindo Breno Fornari em seu protótipo Regente, Dino di Leoni no Aragano e Luiz Moura Brito no Manta-VW.

Foi uma prova de 2 baterias, e Catapani, apesar de pilotar um carro menos potente, dominou a corrida, vencendo ambas baterias e na geral. Na primeira bateria, De Lamare teve seu melhor resultado no Chevrolet Furia, segundo, seguido de Alonso, Avallone, Balder e Fornari. Na segunda bateria, Casari conseguiu terminar em segundo lugar, depois de uma primeira bateria incômoda seguido do local Fernando Esbroglio com Puma, Alonso, Balder e de Lamare. Ternengo foi mal no Berta. Na geral, Catapani terminou à frente de Alonso, De Lamare, Balder e Fornari. A corrida foi um mau começo para o campeonato SUDAM.

Carlos de Paula é tradutor, escritor e historiador de automobilismo baseado em Miami

Wednesday, March 6, 2013

Lameirão em 74

 

A temporada automobilística de 1974 foi problemática, pois exceto pelo campeonato brasileiro de Divisão 1, todos outros campeonatos se concentraram ou foram iniciados no segundo semestre do ano. Foi pouca a atividade automobilística no início de 1974.

A categoria que mais sofreu com isso foi a Divisão 4, justo aquela que teve mais provas em 1973.
Entretanto, uma pequena corrida do campeonato paulista de Divisâo 4 provou que havia um futuro para a categoria, infelizmente não concretizado. A corrida foi realizada em 3 de agosto, em Interlagos. Somente seis carros participaram, um da classe B (Antonio Carlos Avallone) e cinco da classe A (Chico Lameirão, Mauricio Chulam, Marcos Troncon, Newton Pereira e Jan Balder). Era pouca gente, mas os cinco da Classe A eram definitivamente os melhores carros e pilotos da categoria no Brasil, exceto pela falta de Edson Yoshikuma.

Lameirão abandonava o Avallone-Chrysler, com o qual tinha chegado em segundo em Goiania, e usava o Polar-VW da Equipe Motoradio, que tinha sido usado por Sergio Benoni Sandri em corridas do Paranaense de D4. Troncon estava presente de novo com seu Royale. O único Heve era o de Chulam, pois os outros dois carros também eram Polar.

Na geral, não houve quem batesse Avallone. Largou em último, pois não marcou tempo, mas a cavalaria do bem preparado motor Chrysler era demais para os carros da Classe A. Avallone pulou na frente antes de curva um, e sumiu. Mas os carros da A fizeram uma prova primorosa. Chulam saiu na frente, seguido de Lameirão, Troncon, Balder e Newton. Os cinco carros estavam grudados, algo raro na D4. Lameirão fazia de tudo para ultrapassar Chulam, e finalmente conseguiu. Mauricio não se deu por vencido, e tentar ultrapassar Chico, e acabou ralando no guard rail. Com isso ficou garantida a vitória de Lameirão, que foi seguido de Troncon, Balder e Newton

Detalhe - a melhor volta fora de Avallone, em 3m13.2s. Os carros da Classe B tinham capacidade de rodar próximo de 3 minutos e os carros da Classe C da D3 já chegavam próximos de 3m15s em Interlagos nessa época.

Saturday, February 16, 2013

A semi vitória do Kid Cabeleira

 
A primeira corrida do Campeonato Brasileiro de Construtores de 1973 tinha aquela mistura de medo do desconhecido e empolgação com um futuro cheio de possibilidades. Afinal de contas, pela primeira vez o Brasil tinha exclusivamente um campeonato de protótipos Made in Brazil, sem ter que concorrer ou ser comparados com os carrões do exterior. O campeonato de D4 do ano anterior foi só uma tentativa, mas muitos brigavam pela proibição definitiva dos Divisão 6, que diga-se de passagem, já eram muito poucos no Brasil para correr sozinhos e acabavam sempre exigindo a presença - e humilhando - os carros da D4.

Programou-se então um campeonato com 12 corridas, e nem é preciso dizer, com o benefício da retrospectiva, que não foram realizados tantos eventos assim.

Esta primeira prova foi realizada em Interlagos, no dia 18 de março. Não havia muitos carros na pista, somente 14 na primeira bateria - seis da classe B, acima de 2 litros, e oito da classe A. A prova seria disputada em duas baterias de 10 voltas.

Na primeira bateria, foi dada a partida por engano, logo após a retirada da placa de um minuto, Pedro Victor de Lamare não conseguiu largar, e seu mecânico que trabalhava no carro foi quase atropelado no processo. Assim caiu o número para treze carros logo de cara. O bicho papão da D4, Mauricio Chulam, teve azar nessa corrida, seu carro também não pegou, foi empurrado e então abalroado pelo carro de Sergio Zamprogna. Quase ocorre um grande acidente. Mauricio deu somente uma volta, pois a suspensão foi quebrada, e ficou esperando a segunda bateria.

Apesar de estar com problemas no seu carro, pois o óleo se misturava à água do sistema de regrigeração, Arthur Bragantini ganhou a primeira bateria com certa facilidade, por que os outros carros da sua categoria também estavam bem fracos. Antonio Carlos Avallone largou na frente, mas um vazamento o fez rodar na pista diversas vezes, deixando o caminho para Bragantini e Camillo Christofaro, este último pilotando um Fúria com motor Chrysler. Chateaubriand ganhou na classe A, com um Manta-FNM.

Na segunda bateria, Bragantini largou na frente, seguido de Christofaro, mas logo foram alcançados e ultrapassados por Avallone, que largara em último. O careca estava demais, e marcou melhor volta a 3m03.4s na sua criação. Infelizmente, seus mecânicos esqueceram um detalhe, de encher o tanque, o carro engasgou e Avallone foi ultrapassado por Kid Cabeleira.

Quem? pera aí, de onde surgiu esse cara? Kid Cabeleira nada mais era do que o piloto mineiro Luis Carlos Pinto da Fonseca, hoje dono de um dos principais cartórios de Belo Horizonte. Cabeleira sempre esteve presente nas corridas do Mineirão e em provas em Brasília, e certa feita teve a honra de dividir um GTX com Chico Lameirão. Em 1972 comprou um dos carros de Avallone, e desistiu do apelido - quem sabe houvesse cortado o cabelo?

O Avallone de Cabeleira -- quer dizer, Fonseca

Mas nessa segunda bateria da prova em Interlagos o ex-Kid Cabeleira ganhou, fazendo um tempo bem melhor do que Bragantini na primeira bateria. Foi essa a sua grande vitória, que infelizmente, não foi suficiente para uma vitória na geral - na primeira bateria Fonseca fizera só 7 voltas. Assim, foi uma semi-vitória, como gosto de chamar as vitórias em baterias.

Fonseca fez o campeonato inteiro, mas nunca mais chegou perto das vitórias. O nome do piloto aparece erroneamente numa revista QR da época, como Luis Carlos Pereira da Fonseca. Está vendo, se fosse Kid Cabeleira ninguém errava.

Na Classe A ganhou o cabeludo Newton Pereira, sua única vitória na D4.