Monday, March 4, 2013

A primeira equipe Hollywood

 

A equipe Hollywood é conhecida como a mais bem sucedida equipe automobilística dos anos 70. Na realidade, a Equipe Hollywood era a Equipe Z de Anísio Campos e Luis Pereira Bueno, mas não foi a primeira equipe de competição patrocinada pela marca da Souza Cruz. A honra cabe à Equipe Olivetti, do petropolense Mario Olivetti.

Olivetti ficou conhecido por pilotar quase exclusivamente produtos Alfa-Romeo durante o início da sua carreira, inicialmente o JK, e depois a Alfa GTA, e conseguiu ganhar muitas corridas, desde provas de curta a longa duração a subidas de montanha. Entretanto, seu reinado carioca estava ameaçado em 1969 com a chegada de bólidos mais potentes como a Lola T70 dos irmãos de Paoli e o Ford GT40 de Sidney Cardoso, que certamente engoliriam sua GTA viva.

Olivetti tentou importar uma Alfa P33 igual á da Equipe Jolly, mas os custos foram proibitivos. Assim, teve que deixar a lealdade de lado, e acabou optando por um Porsche 910, achado mais em conta na Europa. A participação de um patrocinador foi necessária para arcar com os custos de um carro mais caro, e como o piloto já tinha experiência em trabalhar com a Souza Cruz, o casamento foi fácil.

Além de Olivetti, Carlos Bravo e Antonio Carlos Quintella foram designados pilotos, mas Jose Moraes acabou pilotando o bólido. Olivetti chegou a ganhar com o carro, mas o automobilismo carioca não foi tão prolífico quanto fora durante o fechamento de Interlagos, portanto Olivetti teve poucas oportunidades de dirigir o carro alemão. A maior realização deste carro nas mãos de Olivetti foi o segundo lugar obtido nas Mil Milhas de 1970, em dupla com Jose Moraes, só que aí o carro já tinha passado para a equipe Speed Motors. Entre os integrantes da equipe estava o jovem Andreas Mattheis, na época mero cronometrista.

A vida dura das Alfonas no Brasil


Diria que a minha paixão pelo automobilismo se deu por uma curta visita feita no ano de 1969. Havia descoberto, na televisão, que a Equipe Jolly tinha sua oficina bem próxima da minha casa, na Rua Frederico Steidel, em Santa Cecília. Já era, digamos, simpatizante do esporte. Tanto enchi minha mãe, que ela me levou lá. Fui muito bem atendido por Emilio Zambello, que não só me mostrou as diversas Alfas, mas 3 recém importadas Corvette e a estupenda Alfa P33 que me deixou babando. No resto do ano segui o precário calendário automobilístico daquele ano, me entusiasmando com as vitórias da Alfa.

Como na mente da criança qualquer coisinha é gigantesca, ficou a minha impressão de que a P33 fez e ganhou muitas corridas. Na realidade, só fez quatro em 1969, e tentou fazer uma em 1970. O carro chegou ao Brasil meio que nem as Simca-Abarth em 1964, na base do 'empréstimo'. Havia sido realizada uma feira de produtos italianos em Sampa no começo do ano, e um dos produtos era justamente a P33.

O carro tinha 2 litros, portanto, não tinha potência para ganhar corridas no Mundial de Marcas. Ganhou a importante prova de Mugello, e teve excelente resultado na Targa Florio de 1968, assinalando a volta da Alfa-Romeo às corridas de primeira linha.

Só que para o Brasil, nada havia aqui que pudesse peitar a Alfa. O carro ganhou suas três primeiras corridas, no Rio (Pace), Curitiba (Marivaldo) e Salvador (Pace), deixando todo mundo para trás. Na última corrida do ano deu azar. Na prova 1000 km da Guanabara, a Alfa finalmente teria concorrentes a altura, uma Lola T70 dos De Paoli e o Ford GT40 de Sidney Cardoso, e bateu os dois nos treinos. Os 3 carrões não terminaram a corrida, e quem levou foi uma mais humilde Lorena-Porsche.

A P33 no auge
Interlagos voltara a funcionar em 1970. A Alfa teve um acidente em treino particular em Interlagos, e foi reformada. Sem a capota, e na cor branca típica dos outros carros da Jolly (em 1969 correu com a cor vermelha da Autodelta), a P33 acabou se acidentando novamente, na volta de apresentação das 12 Horas de Interlagos. Desta vez o estrago foi excessivo, e o carro virou sucata, nunca correndo em Interlagos.

O fim da linha de P33 da Jolly
No fim de 1970, uma outra P33 Spyder veio ao Brasil, pilotada pelos italianos Carlo Facceti e Giovanni Alberti. O carro terminou em terceiro nas Mil Milhas, e acabou ficando no Brasil comprado por Toninho da Matta. O mineiro estava acostumado a pilotar Opalas e karts, mas se adaptou bem ao carro, terminando a primera etapa da Copa Brasil em terceiro lugar. Daí, a Alfa deu azar novamente em Interlagos. Na segunda etapa do torneio, da Matta bateu o carro, que nunca mais competiu no Brasil.

A Alfa de Toninho
Acostumada com o grande sucesso das Alfa Giulias, das GTA-GTAM e da P33 desde 1966, a Equipe Jolly estava numa curva descendente em 1972. As GTA já não tinham categoria para correr, assim a Equipe resolveu investir numa Alfa T-33-3, do mesmo tipo que ganhara três provas do Mundial de Marcas de 1971.

O grande rival da Alfa era o Porsche 908-2 da Hollywood. Ainda assim, Marivaldo conseguiu um honroso segundo lugar na prova dos Campeões em Interlagos, sendo somente superada pela Porsche do grande Luisinho. A primeira excursão ao exterior da Jolly terminou em abandono em Buenos Aires, e nos 500 km de Interlagos Marivaldo Fernandes conseguiu um honroso quarto lugar, recebendo a bandeirada após os Porsches de Joest e Luisinho, e a Ferrari de Herbert Mueller.

A Alfa não compareceu à última prova do Campeonato Nacional de Divisão 6, categoria que foi cancelada pela CBA a partir de 1973, nem tampouco competiu na Copa Brasil. Assim, a Alfa não teria mais onde correr.

A Alfa T33-3 da Jolly, com Marivaldo Fernandes
Foto de Rogerio da Luz

O carro competiu mais uma vez, já equipado com um motor Ford Maverick, nas cores da Equipe Motoradio. Pilotado por Angi Munhoz, o bólido chegou em segundo na prova Cascavel de Ouro, sendo superado somente pelo companheiro Chiquinho Lameirão. O resultado foi bom, pois havia fortes concorrentes na prova, mas de qualquer modo, a Divisão 4 entrou em coma em 1974, nunca mais se recuperando, e o carro foi aposentado de vez.
Texto baseado em pesquisa de Ricardo Cunha

Carlos de Paula é tradutor, escritor e historiador de automobilismo baseado em Miami

Hollywood na Austria


Esta é uma bela foto panorâmica da largada dos 1000 km da Áustria de 1972. Esta corrida contou com a participação do Porsche 908/2 da Equipe Hollywood, que pode ser visto à esquerda. O bólido acabava de sair da fábrica da Porsche, onde passou por uma revisão, antes de ser despachado para o Brasil, onde participaria dos 500 km de Interlagos.

O carro, pilotado por Luis Pereira Bueno e Tite Catapani largou em sétimo, e abandonou a prova.
Esta corrida também foi notável por ser a primeira participação de José Carlos Pace na Ferrari. O brasileiro correu em dupla com o austríaco Helmut Marko e chegou em segundo lugar.

Impressionou bastante e foi contratado pela SEFAC para 1973. Curioso que embora a Ferrari tenha obtido um 1-2-3-4 na corrida, nos treinos foi superada pelo Gulf Mirage de Derek Bell e pela Lola Bonnier de Reine Wissel. Os dois carros com motor Ford largaram mal, e foram superados pelas Ferrari e na foto o Porsche brasileiro aparece em quarto ou quinto lugar - não é possível dizer se está à frente ou atrás do Gulf Mirage.


Carlos de Paula é tradutor, escritor e historiador de automobilismo baseado em Miami

Tuesday, February 26, 2013

Polar Ford Turbo


Este é um carro significativo. O Polar-Ford turbo de Jaime Levy, o primeiro carro de corrida turbo do Brasil, de 1973. O motor era do Corcel, com turbo compressor. O patrocinador, SPI, era uma empresa de Levy. O Polar também foi usado com motor VW naquele ano. Foto de Rogerio P. Luz.

This is first Brazilian turbo engined racing car, the Polar Ford turbo of 1973, driven by Jaime Levy. Tthe car was equipped with a Ford Corcel engined with a single turbo. The sponsor, SPI, was a company owned by Levy himself. The company would sponsor the 1974 March F3 works team. The Polar was also used with normally aspirated VW engines. Photo by Rogerio P. Luz.

Carlos de Paula é tradutor, escritor e historiador de automobilismo baseado em Miami

As Mil Milhas da Ferrari, 1970


Como o mundo é curioso. Em 1970, a mera chegada de uma Ferrari 512 para participar das Mil Milhas do Brasil quase causa outra revolução no País. Exageros a parte, a mídia geral ficou alvoroçada, parecia que finalmente o automobilismo brasileiro progrediria, "este é o País que vai pra frente", "ame-o ou deixe-o", etc etc. Afinal de contas, era uma Ferrari do ano. Teve muita gente que foi ao aeroporto recepcionar o carrão italiano. 37 anos depois, quando finalmente a Mil Milhas se torna uma prova importante do calendário internacional, os jornais nem dão cobertura. Não estiveram aqui só um grande carro, mas dezenas de protótipos e GTs de primeira, inclusive a equipe de fábrica da Peugeot, com tecnologia de ponta diesel.

Acho que é a lei da relatividade. Em 1970, afinal de contas, nem tínhamos a F-1 no País, na realidade, o único torneio internacional realizado recentemente, naquela altura, fora o Torneio BUA de Formula Ford, realizado no começo daquele ano. Mas hoje em dia já vimos muitos protótipos e GTs, inclusive am outras Mil Milhas e já tivemos F1, F2, Formula Indy, DTM, Formula Nissan, BPR, F3, Formula Ford, Formula 3000, ETC...Por isso o desdém.

Realmente os tempos estavam mudando no Brasil. O ímpeto inicial, a meu ver, foi a permanência da Alfa P33 com a Equipe Jolly, em 1969. Até então, os carros de corrida estrangeiros que vinham para ficar no Brasil eram velhos e com tecnologia atrasada, ou então, de uma categoria inferior, como o Simca Abarth e Alpine que só ganhavam nas suas respectivas classes na Europa. A própria Alfa P33 ainda não era carro de ganhar muitas corridas na geral, mas antes do fim de 1969 chegariam no Brasil uma Lola T70 e um Ford GT40, dois carros que haviam de fato ganho provas do Campeonato Mundial de Marcas daquele ano, detalhe, em Sebring e Le Mans, duas das provas mais difíeis do calendário. Entravamos na fase dos carros atuais e top of line.

Infelizmente, tanto os T70 como o Ford GT40 não foram muito felizes no Brasil. Os cariocas que importaram os carros tinham pouca experiência, e salvo por vitórias no campeonato carioca, os carros nunca tiveram boa performance em corridas de nível nacional. Apesar dos pesares, estava iniciada a internacionalização e atualização do esporte no Brasil.

Pois a chegada da 512S foi um fato e tanto. Os portugueses que cá vieram nas Mil Milhas de 1967 trouxeram carros mais simples, como Porsche 911, que na época não passava de carro de turismo, Lotus Europa e Ford Cortina, mas a 512S estava num patamar diferente. Afinal de contas, era o único carro a peitar a papona Porsche 917 naquele ano. Entre outros, o modelo fora pilotado por Chris Amon, Jacky Ickx, Derek Bell, Ronnie Peterson, John Surtees, Clay Regazzoni, Arturo Merzario, Mario Andretti, Nino Vacarella e Ignazio Giunti naquele ano, todos pilotos de alta categoria. É certo que os pilotos da 512S no Brasil seriam os mais humildes, italianos Gianpiero Moretti e Corrado Manfredini. O último já havia inclusive corrido por aqui nos anos 50.

Ofuscados pela Ferrari, vieram também uma Alfa 33 3 litros, pilotada por Giovanni Alberti e Carlo Facetti, além de um Fiat Abarth de 2 litros, de Luciano Passoto e Luigi Cabella.

Na corrida, a Ferrari de 5 litros e 550 HP marcou a melhor volta, 2’58”5/10, que se tornou recorde de Interlagos (que seria batido pouco depois na Copa Brasil, por Emerson Fittipaldi com uma Lola de menos de 2 litros!). Foi um marco porque foi a primeira volta abaixo de 3 minutos na pista paulistana. Cinco anos depois, pasmem, o tempo seria batido por Formula Super Ve made in Brazil, além do Hollywood Berta. É certo que Moretti maneirou, o carro poderia fazer 2m40s fácil, fácil, mas o dia foi chuvoso e cheio de neblina, para que arriscar e quebrar o carrão. Moretti era rico, mas não era bobo.

No fim da história, a Ferrari não aguentou o tranco, abandonou, e a vitória terminou nas mãos da Alfa Romeo GTAM de 2 litros, dos irmãos Abílio e Alcides Diniz, da Equipe Jolly. Vitória merecida para uma equipe que literalmente carregou o automobilismo nas costas durante os anos mais difíceis do esporte no Brasil.

Carlos de Paula é tradutor, escritor e historiador de automobilismo baseado em Miami

Friday, February 22, 2013

Furia Chrysler de Camilo Christofaro



Com este carro, Camil Christofaro participou de algumas corridas em 1972 e também do campeonato brasileiro de Divisão 4 de 1973. Em alguns resultados, o carro aparece como Protótipo Lobo-Chrysler.

Anteriormente, Camilo chegou a usar um motor Ferrari neste mesmo chassis. Camilo ganhou uma das provas, a segunda preliminar da Copa Brasi que teve o seguinte resultado

Segunda corrida
1. Camilo Christofaro, Furia Chrysler
2. Antonio Meirelles, Heve VW
3. Waldeban Ribeiro, Prot VW
4. L.Alberto do Casal, Manta VW
5. Jan Balder, Avallone Chrysler
6. Roberto Fermarato, Prot VW

Carlos de Paula é tradutor, escritor e historiador de automobilismo baseado em Miami

Avallone-Chrysler de fábrica, 1973




Avallone com motor Chrysler, de fábrica, ano 1973